Soja: um alimento aliado ou perigoso para a saúde?

Sob a visão da nutrição integrativa é importante ressaltar que um alimento pode ser benéfico para uma pessoa e um veneno para outra. Este é o conceito da bioindividualidade, afinal, cada indivíduo carrega informações da sua genética, cultura, vida social, valores, crenças e hábitos que influenciam nas suas necessidades nutricionais.

Ao falar sobre um assunto tão polêmico como a soja, em que pontos de vistas totalmente opostos podem ser comprovados cientificamente, quero deixar claro que recomendo sempre que cada pessoa verifique se qualquer informação faz sentido para si e procure orientação profissional quando necessário.

A soja é um grão originário do Leste Asiático, e começou a ser utilizado na culinária Chinesa, depois se espalhando pelos outros países da região. Faz parte da família das leguminosas, assim como os feijões, lentilhas, ervilhas e grão-de-bico.

Por um lado podemos considerar o seu valor nutricional, já que é uma fonte de proteína vegetal, fibras, vitamina K, cálcio, magnésio e ferro. Porém, devemos lembrar que a soja possui naturalmente isoflavonas, ou fitoestrogênios, compostos proteicos que tem ação muito similar ao estrogênio, hormônio em que a produção é maior em mulheres e naturalmente bem menor em homens.

Hoje em dia muitas mulheres sofrem com sintomas de TPM, cólicas, ovários policísticos e outros distúrbios, e a maioria já fez uso de algum anticoncepcional, o que significa que podemos estar com excesso de estrogênio no nosso corpo, devido as alterações hormonais causadas pelo nosso estilo de vida, como explica a coach especialista em saúde feminina Melissa Setúbal. Então além destes excessos, imagine se consumirmos um alimento regularmente que pode aumentar ainda mais a produção de estrogênio?

Também podemos lembrar que as mulheres em idade próxima a menopausa sofrem uma queda na produção deste hormônio, e neste caso poderiam se beneficiar do consumo da soja, também pensando na origem, método de produção e quantidade.

Outro fato importante a ser considerado é que a maior parte da soja cultivada no Brasil e no mundo (mais de 90%) hoje é transgênica, modificada geneticamente para aguentar a os agrotóxicos mais potentes, como o Roundup (que pode causar câncer e Autismo segundo alguns estudos). E se o agrotóxico visa matar microorganismos e insetos, como podemos ter total segurança de que ele não está nos matando lentamente, não é mesmo?

Além disso, praticamente todos produtos industrializados contém soja como ingrediente, o que aumenta ainda mais o consumo diário desta leguminosa para a maioria da população. Até a maior parte das barras de chocolate e doces contém lecitina de soja, utilizada para manter a consistência por mais tempo.

E quem tem escolheu uma alimentação vegetariana, pode usar a soja para substituir o leite e a carne?

Muitas pessoas que substituem o leite de origem animal pelo leite de soja o fazem acreditando ser uma boa troca. Porém considerando que a soja é  altamente processada e perde grande parte do seu valor nutritivo, acentuando ainda mais o seu teor em isoflavonas (fitoestrogênios), é interessante pesquisar outras alternativas de leites mais nutritivos e com menos efeitos negativos a saúde. Os leites feitos em casa, como os de castanha-de-caju, leite de coco, leite de amêndoas (clique aqui para ver a receita), por exemplo, são muito mais benéficos pois mantém as suas propriedades, são ricos em cálcio e em outros nutrientes pois não são ultraprocessados.

Quem adota uma alimentação vegetariana ou vegana precisa encontrar fontes de proteína vegetal para substituir as carnes, e a soja aparece de várias formas neste tipo de cardápio. A proteína isolada de soja é muito utilizada pelo seu alto teor de proteína, porém este alimento é ultraprocessado, a proteína é isolada ao máximo, não fica mais nada, e além de perder muitos dos seus nutrientes pode piorar ou causar problemas digestivos, gases e distúrbios intestinais. Ao invés de fazer da soja o “bife” diário, é possível variar com outras fontes, como as outras leguminosas (feijões, lentilha, grão-de-bico), com castanhas e sementes, e vegetais crucíferos como o brocólis e a couve-flor. Além disso vale lembrar que quanto maior a variedade dos alimentos, maior será a ingestão de nutrientes, e não é preciso ficar contando as gramas de proteína,  e sim equilibrar as refeições com uma porção de cada grupo alimentar.

Ainda assim, as formas mais seguras de consumir a soja seriam utilizar os seus derivados como o missô, o molho shoyo, tofu e tempeh, que são provenientes de um processo de fermentação dos grãos de soja e podem ser consumidos em pequenas quantidades, como na culinária asiática tradicional.

Também é indicado procurar sempre os produtos orgânicos e com o selo indicativo de “não-transgênico”.  Além disso, para as mulheres em idade fértil convém consumir os derivados de soja no período de 10 dias após a menstruação, quando os níveis de estrogênio voltam a cair.

Concluindo, a soja pode trazer seus benefícios para as mulheres que estão entrando na fase da menopausa se for utilizada com moderação e muita consciência quanto a origem.  O ideal é procurar orientação profissional para identifcar as possibilidades de cada caso. Para todas as idades, o ideal é buscar os alimentos menos processados possíveis, orgânicos e não transgênicos, devido ao desequilíbrio que estas substâncias podem causar ao nosso organismo, como menor absorção de nutrientes, desregular o equilíbrio hormonal e até causar doenças mais graves como câncer.

Espero que estas informações sejam úteis para que você reflita sobre as suas escolhas alimentares. Como sempre, não acredito que um alimento seja completamente bom ou ruim, depende da quantidade, de cada pessoa e de como este alimento é ingerido.

Um artigo interessante para quem quiser aprofundar no tema:
http://authoritynutrition.com/is-soy-bad-for-you-or-good/

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *