Desapego gera leveza e liberdade

Nós temos o poder de escolher o que mantemos nas nossas vidas. Se não faz feliz, por que continuamos insistindo?

A prática do desapego é uma das mais poderosas (se não a mais poderosa) para gerar mais leveza e abrir espaço para que novas possibilidades se manifestem na sua vida.

Desapegar de coisas, roupas, objetos pode ser bem complicado para algumas pessoas. Quem não tem aquela roupa que acha linda, mas que não usa mais tanto assim? Ou aqueles objetos que estão esquecidos em algum lugar da sua casa, e que você pensa que talvez um dia vão ter alguma utilidade, mas já passaram 10 anos e você realmente nunca precisou deles?

Todos nós temos certos apegos, alguns mais intensos, outros menos. Mas venho aprendendo que quanto menos apegos eu tiver, mais fluída e mais leve a minha vida será.

Existe o apego a coisas materiais, que é bem comum na sociedade atual, incentivada a comprar, ter e possuir para preencher o vazio existencial. Existe também o apego a memórias, pessoas, relacionamentos, padrões de comportamentos, hábitos.

Lembrar de certas memórias traz sensações, muitas vezes revivemos aquela situação e sentimos o mesmo que sentimos naquele momento que já passou. E que talvez gostaríamos de viver novamente, ou não… ou nos planos que tínhamos feito e não vamos mais realizar por algum motivo.

Como você age quando o apego é relacionado a uma situação do passado que não vai voltar mais?

Desapegar pode não ser tão fácil, mas pode ser mais simples do que você imagina.

Uma das coisas que me ajuda neste processo de desapego é relembrar que nada do que eu vivi no passado poderá ser vivido novamente. Por mais que eu queira, cada nova experiência é completamente diferente da outra.

Não importam os fatores. Nosso cérebro tem a capacidade de generalizar muitas coisas, é um mecanismo necessário para a vida que levamos, porém podemos cair na armadilha de pensar que estamos vivendo a mesma situação novamente, pois alguns fatores são comuns.

Nem mesmo se eu quiser comer o mesmo sorvete de chocolate do café que tem perto da minha casa, mesmo que seja sempre a mesma receita, no mesmo lugar, no mesmo horário, a cada vez que eu saborear este sorvete vou sentir algo difernete, pois a cada momento que passa, eu não sou mais a pessoa de um segundo atrás.

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Pode ser que eu sinta prazer todas as vezes, porém em intensidade diferente, e com outras sensações atreladas, que estão mais conectadas ao meu estado interno do que ao sorvete em si.

A mudança é a única coisa verdadeiramente constante neste mundo.

Cada experiência que vivemos vai trazendo algo a mais para a nossa “caixinha de informações, sensações e memórias”.

Eu penso que é normal querer reviver momentos agradáveis e que trazem boas sensações, a nostalgia pode ser saudável se for vivida com equilíbrio.

Também penso que a prova de que devemos abrir espaço para novas experiências é olhar para todas as vezes que planejamos algo, porém ao invés deste plano se realizar, algo muito melhor aconteceu no médio ou longo prazo.

Talvez você já tenha passado pelo fim de um relacionamento (quem nunca?) e pode ter sido extremamente doloroso e sofrido, afinal você tinha sentimentos por aquela pessoa, planejava projetos com ela, mas a vida foi encaminhando vocês em direções opostas, até que um dia você percebe que vocês não se conhecem tão bem assim, ou que não há mais como manter este relacionamento.

E aí vem uma das partes mais lindas do desapego: entender que o que foi vivido foi importante, trouxe vários aprendizados, gerou amadurecimento e faz parte da sua história, que não deve ser esquecida, porém não precisa ser relembrada a cada 5 minutos.

Você não quer sentir novamente a dor, o sofrimento, a angústia. Então por que relembrar a história que trouxe estas sensações? Por que voltar a dar este “ópio” para o seu cérebro?

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Sugiro fazer um exercício para te ajudar a trazer clareza ao que desapegar.

Esta técnica é inspirada em algo que aprendi com a Marie Kondo, especialista em organização, sugiro a leitura do seu livro “Mágica da Arrumação

Pegue papel e caneta.

Em uma folha de papel, crie 2 colunas. No topo de uma delas escreva  “Me faz bem” e na outra  “Não me faz bem”.

Escolha uma situação ou aspecto da sua vida que não está sendo tão boa quanto você gostaria, uma área da sua vida em que parece que algo está quebrado.

Pense em tudo que está acontecendo relacionado a esta situação, e comece a escrever abaixo de cada coluna, de acordo com o que você sente ao pensar nesta situação. É importante que você observe os seus sentimentos sem julgamento e siga o que eles te dizem. A mente pode atrapalhar um pouco, por isso deixe a sua intuição te guiar.

Comece pelo óbvio, pense nos aspectos que você não está gostando nesta situação. O que te incomoda, o que te deixa irritada, frustrada, decepcionada ao viver esta situação?

Ao sentir que algo não te faz bem, logicamente, escreva na coluna “Não me faz bem”.

E aquilo que de certa forma te traz algum prazer ou alívio, relacionado a esta situação, escreva em “isso me faz bem”.

Parece maluco pensar que em uma situação “negativa” algo pode te trazer alguma forma de prazer, mas é muito comum isso acontecer. Se está situação não estivesse trazendo alguma forma de prazer ou alívio, você já teria saído dela, já teria desapegado.

Vá escrevendo tudo de acordo com os seus sentimentos e quando sentir que chegou ao final, releia as duas listas e verifique novamente as sensações ao ler cada frase.

Pronto, agora você tem uma lista identificando aquilo que está trazendo sensações mais dolorosas.

O próximo passo é pensar: existe algo que eu possa fazer para transformar isso?

Onde está a minha parcela de responsabilidade sobre esta situação? Eu posso mudar algo no meu comportamento ou na minha mentalidade para não viver este estado de decepção, tristeza, frustração ou irritação constante?

Não coloque a responsabilidade nos fatores externos, antes disso perceba os pontos em que você pode estar contribuindo para esta situação estar como está.

Com certeza você não pode controlar tudo, nem como os outros pensam, nem como se sentem. A sua única responsabilidade é consigo mesmo.

Reflita sobre as partes desta situação que te trazem alguma forma de prazer também. De certa forma, nós mantemos na nossa vida aquilo que nos dá um certo nível de prazer ou que usamos como um escudo para não dar aquele salto no invisível, e desapegar da zona de conforto onde já sabemos como agir.

Desapegar de pensamentos que nutrem sensações ruins é uma das coisas mais maravilhosas que você pode fazer pela sua saúde mental, emocional e física!

Libere este peso, esta carga que pode estar sobre os seus ombros, e perceba que por mais amedrontador que possa ser deixar algo sair da sua vida, tenha em mente que a escolha de manter algo que não está te fazendo verdadeiramente feliz é totalmente sua.

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